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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Cavalos pretos

Antom Fente Parada.

Espelha-se na alma
o teu riso
e a felicidade
faz cóxegas
na hormona do amor.

Porém tenho medo dos cavalos.
Desses córceles pretos
desses mouros medos
dessa obscuridade que se alimenta de verde.

De coração
                 de vida
                             de soidade.

Percorrem a minha pele
as palavras que sussurras
no cerne da minha caluga
e mistura-se o mel com o fel.

Lua de mel,
             um touro selvagem
                               ouvea-lhe a uma lua de papel.

Sabe-me a vida,
sabe-me a alama,
sabe-me o riso,
sabem-me as cóxegas
sabe-me a lua que baila quando és ti;
quando os indómitos cavalos se afastam entre a névoa
e os touros verdes mexem-se
calados.

Se o amor é um lobo quero ir no seu lombo
enquanto recorro as tuas pernas
e a eletricidade invade o teu cérebro
com os movimentos da minha língua.

No bosque os cavalos calam,
aguardando o seu momento
… nunca encontrar-nos-ão por que há cadeias que nunca se rompem

Graucinhos

Jorge Pérez Árias é um jovem poeta de Pantom especializado também em relações laborais. Tem colaborado em numerosas inciativas culturais, entre elas na Associação do Castro da sua vila.

Estou tão cansado
As luzes são tão sombrias
que a penas posso ver
o porto no que parar
depois de naufragar.
Os meus sonhos
pedrinhas pequenas
que eu achava penedos grandes
á beira da casa de um ferreiro.
Pequenos graus que eu sonho.
E estou tão só
olhando para um ermo
que agora desejo sempre
tão selvagem, tão pouco trabalhado.
Não quero ser o número.
Número fechado em quadricula
Um antes, um outro depois
Todos tão diferentes e á vez
unha outra vez tratados tão iguais.
Não achas que também tem sentimentos?
No profundo da minha alma
estou cansado, sombras me asobalham,
de uns outros que querem tragar-se
meus risos, minhas bágoas.
Sou um número, sou unha mentira que me contaram.