quarta-feira, 4 de junho de 2014

Análise dos resultados na Galiza do 25-M: ilusões óticas da esquerda galega, margem de manobra e esperança

Opinião de Antom Fente Parada.

 "Para rebelar-se e lutar não são necessários nem líderes nem caudilhos, nem Messias nem salvadores; para lutar apenas se precisa um pouco de vergonha, um tanto de dignidade e muita organização, o demais ou serve para o coletivo ou não serve", subcomandante Marcos. (1)

Talvez o melhor resumo da passada jornada eleitoral na Galiza seja verificar mais uma vez a irresponsabilidade das direções políticas da esquerda galega, que celebraram este resultado em todos os casos como uma vitória, quando apenas Podemos tem algo a celebrar ao converter-se na expressão política do 15-m em todo o Estado. A continuação faremos uma análise que inclui ao final uma série de gráficos e dados para que o leitor poda fazer a sua própria análise e corroborar se a leitura que aqui se faz é acertada ou não.

1.- Golpe ao bipartidismo na Galiza?

No conjunto do Estado houve uma clara queda do bipartidismo, embora deve ser matizada pela alta abstenção. O descalabro do PSOE, em clara pasokização, forçou a saída de Alfredo Pérez Rubalcaba da direção do PSOE e os dois grandes partidos sistémicos da II Restauração bourbónica ficaram por primeira vez por baixo de 50% de apoios (frente 66'40% das anteriores europeias), embora a situação mude se se lhe engadem os apoios doutras forças de direita e extrema direita e se atendemos à abstenção. Também o bipartidismo tem margem, a começar pelo asédio a Podemos principal alternativa de governo neste momento no Estado, embora tira-se menos deputados do que IU. Um assédio que sofreram já com anterioridade AGE e BNG na Galiza.

Aliás, na Galiza o bipartidismo resiste melhor do que no conjunto do Estado espanhol: por uma parte o PP é o partido mais prejudicado pela abstenção, mas não despregou toda a sua maquinária eleitoral –especialmente no rural e nas vilas– e, igualmente grave, PSOE recupera apoios e percentagem de voto a diferença do conjunto do Estado.

Se cotejamos os dados de abstenção entre autonomias governadas pelo PP ou não, interior e costa na Galiza ou rural e urbano fica às claras que boa parte dos votos que perde o PP ficam na abstenção e não vão a outras opções e que esta, embora afete a todas as forças, se concentra em maior medida no tradicional votante do PP.

O PP segue a ser a força mais votada na Galiza (35'16%), como desde 1989, mas os 354.743 votos são o seu pior resultado da história, nunca baixaram dos 500.000 votos. Assim as coisas, o PP perde 220.000 votos em comparação com as europeias de 2009 e mais de 100.000 votos a respeito das eleições nacionais de 2009, quando Feijoo se convertera em presidente da Junta.

O PSOE perde 184.000 votos a respeito das europeias de 2009 e obtém o pior resultado também desde 1989, embora se mantenha inopinadamente como segunda força, mas que permitiu que Besteiro e Pepe Blanco celebraram os resultados em sendas cenas buñuelescas. A ilusão ótica que permite ao PSOE manter ainda o seu segundo posto é a divisão do eleitorado de AGE nas passadas eleições galegas.

2.- Alternativa Galega de Esquerdas em Europa: celebramos a fragmentação do eleitorado de AGE?

A percentagem de voto de AGEE na Galiza é semelhante à de IU noutras comunidades autónomas e, em geral, a Galiza comportou-se eleitoralmente como o resto do Estado em todos os eidos: maior abstenção onde governa o PP, irrupção de Podemos parelha a IU... Não houve uma maior participação como nos territórios onde a questão nacional é chave (Euskadi, Catalunya e Nafarroa) nem um aumento significativo do voto soberanista como sim aconteceu nos casos de EH Bildu e ERC. É difícil não ver um retrocesso da consciência nacional deste país e do campo nacionalista em geral o que nos deveria fazer reflexionar a todos os aderentes da esquerda galega, independentemente do espaço em que militemos.

Cumpre assinalar igualmente que AGE, sobretudo nas contornas urbanas e semi-urbanas que foi onde teve mais pulo nas eleições ao parlamento galego, perde força e que Anova perdeu boa parte do eleitorado desse espaço de rutura e orfandade da esquerda que queria recuperar. Já que logo, a integração em IU –percebida por boa parte do nosso eleitorado como mais uma força sistémica– não supus um plus, não se conseguiu dar o sorpasso ao PSOE (que sim se dera nalgumas cidades já naquela altura) e demonstra a enorme falácia dos 200.000 votos para converter uma fronte ampla e dialética (AGE) numa fórmula fixa integrando-nos na Izquierda Plural (AGEE). A soma de Podemos e AGEE dá uma soma semelhante aos 200.000 votos daquele então e sim teria permitido dar o sorpasso ao PSOE e que era uma aposta dos que defendiamos uma frente ampla diferente à integração em IU. Lembremos o que dizia Xosé Manuel Beiras quando dava o seu apoio à opção 1 no referendo interno de Anova:
a conexión/re-conexión entre forzas polìticas e plataformas/movementos cívicos, nos diversos eidos dese mesmo ámbito estatal, segue a ser, con poucas excepcións, un mero desideratum. Mesmo algún movemento recentemente emerxente (como 'Podemos') é, para min, unha incógnita, tanto na sua índole canto no rol que pretenda ter e nos compromisos, e condicións dos mesmo, que esteña disposto a suscreber con algunhas forzas políticas.

Porém, AGE é a força que mais baixa ao perder 24'47% de apoios, frente aos 21'86% que perde o BNG e um PSOE que sobe em percentagem de voto. Na cidade da Crunha a situação ainda é pior: AGE deixa de ser a segunda força para ficar por trás de Podemos. Assim AGE passa de 200.828 votos nas eleições galegas (13'90%) a 105.605 (10'52%) com uma descida de votos de 47'41% e em percentagem de voto de 24'47%.

A pesar da excelente notícia de situarmos a Lídia Senra na euro-câmara os resultados na Galiza não são determinantes para que Anova atingira representação (nº 5 na listagem de La Izquierda Plural), dependendo do resultado de IU no conjunto do Reino de Espanha. Integrar-se em IU não se justifica com 0'6% de deputada quando a configuração da frente ampla poderia ter sido outra: Anova, Podemos, Compromís, Equo, Chunta Aragonesista... Anova tinha como alvo representar um espaço órfão de representação e advogar pela frente ampla como expressão política e social na defesa da maioria social agredida sendo a superação do PSOE uma realidade ao alcance. Longe de conseguir isso perdeu a metade dos votos, fundamentalmente em favor de Podemos, pois uma parte do eleitorado vê a IU como mais uma força do sistema na Galiza e no conjunto do Estado e não como uma força de rutura ou em consonância com o espaço político criado pelo 15-m.

Uma frente ampla de verdade e não uma integração teria permitido a nível Estado uma derrota sem paliativos do bipartidismo e uma mobilização maior dos votantes da esquerda e do espaço de rutura da sociedade civil mais viçosa do Estado.


3.- BNG: a orquestra do Titanic segue a tocar

O BNG ficou 30.000 votos por cima do seu pior registo (Estatais de 1989) e perdeu 24.000 votos a respeito das anteriores europeias. O triunfalismo da sua direção, que causou mal-estar em grande parte dos seus votantes, dava a imagem da orquestra do Titanic, embora Ana Miranda mantenha o seu escano em Europa por mor dos apoios recebidos por EH Bildu.

Contudo, o triunfalismo da direção do BNG pode responder a que seus prognósticos eram ainda piores, a pesar de que o BNG hoje já é a quinta força na Galiza superado por Podemos e nas cidades, excetuando Ponte Vedra, fica reduzido ao mínimo se bem é certo que semelha que tucou fundo - sempre e quando não se exclua duma frente ampla que sim englobe às restantes forças à esquerda do PSOE-.

Se as bases não obrigam a mudar o rumo à direção do BNG paira uma grave ameaça de descomposição da base social mais importante do campo nacionalista o que não é uma boa notícia para ninguém que apoie a emancipação social e nacional do povo galego. As direções políticas irresponsáveis do campo nacionalista (e as e os militantes irresponsáveis que as sustentamos) têm que entender que:  
a) a expressão eleitoral apenas pode entender-se como uma ferramenta, uma caixa de ressonância, do poder social em ação onde se erguem as alternativas reais frente a umas instituições apodrecidas e ao serviço do aparato de Estado (propriedade da oligarquia do capitalismo de amiguinhos do Reino de Espanha);
b) Galiza precisa, seja como for, situar a questão nacional no contexto de quebra democrática e podridão da II Restauração bourbónica e isso apenas se consegue sendo alternativa real para o conjunto da esquerda social da nossa nação (soberanista ou não), possibilitando que o campo nacionalista conecte com o conjunto do espaço de rutura e as capas órfãs de representação para o que cumpre apostar pela frente ampla inclusiva e não por fórmulas fixas excluintes, seja quem for o parceiro;
c) o campo soberanista (nacionalista / galeguista / independentista ou como se lhe quiser chamar) deve abandonar a doutrina dos dois mundos (nacionalista/espanholista), em que está instalado o BNG, e advogar por uma frente ampla que unifique a todo o espaço ruturista e que tão pouco passa pela entrega entusiasta a IU qualificando o resto do campo nacionalista como "chovinista". Sem o BNG (ao menos a sua base social), Anova terá muito difícil por sim própria reverter a já clara perda da hegemonia da esquerda galega entre a mocidade e pôr a questão nacional à mesma altura do que a questão social (pois no mundo real são inseparáveis e não se podem solventar as problemáticas sociais, económicas, culturais... sem termos soberania como povo), algo com nefastas consequências para o horizonte estratégico partilhado pelo conjunto do campo nacionalista e para o povo trabalhador gaelgo. O que está em jogo é a expressão política de todo o campo nacionalista e a sua sobrevivência e reprodução não que partido ou família leva razão. (2)

4.- O fenómeno Podemos: apenas Yes we can à espanhola ou espaço órfão de representação e fator chave para a síntese necessária entre a esquerda clássica e as novas conceções da esquerda para avançarmos no século XXI?

O fenómeno Podemos desbordou as previsões de todas as direções políticas da esquerda galega (e também de IU), mas não fomos poucas as vozes (desde posições muito diferentes e com adesão entusiasta ou desde uma posição crítica) que dizíamos que Podemos seria às europeias o que AGE às galegas. Assim foi e assim se demonstra a enorme importância das redes sociais e dos mass media no voto –mais na esquerda do que na direita– para bem e para mal. Podemos criticar o emprego da foto do seu líder como logo, a sua nula implantação territorial na Galiza, a sua ambígua aposta pelo galego, a sua retórica keynesiana, a sua estética pós-moderna (há para todos os gostos)... mas conseguiu conectar com um eleitorado ao que não chega a esquerda tradicional, segmento fundamental para a rutura e para emancipação nacional, e com o que sim conectara AGE nas eleições galegas. 
 
Embora, pela experiência, estes processos-lostrego rematem por criar fundas fendas internas, a irrupção do oportunismo e o eleitoralismo, profundos ataques externos e, ao cabo, políticas não substancialmente diferentes nas instituições que produzem um desencanto que alimenta a confussão, a impostura, a desorientação e, ao cabo, a extrema direita ou o mantimento do status quo; o certo é que a esquerda mais “clássica” tem muito que achegar a novas fórmulas políticas, mas também muito do que apreender e deve tratar estas fórmulas em igualdade de condições para possibilitar a melhor síntese possível para a esquerda do século XXI (ontem a vanguarda foi ontem o POUM e hoje são as CUP): tenham razão os clássicos ou os pós-modernos sem frente ampla não haverá sucesso possível nem segundas oportunidades. A questão deve redimir-se, já que logo, através do debate e a honestidade intelectual e da pressão das bases de todo o campo nacionalista, superando o confronto Anova-BNG que lembram ao KPD e à SPD da República de Weimar.
Podemos, com escassos meses de vida, iguala praticamente a uma AGE que perde metade do seu eleitorado em tempo recorde e recolhe o modelo e discurso fresco e bem sucedido de AGE em 2012. 
 
O eleitorado de Podemos, também na Galiza, baptiza-se politicamente no 15-m, desconfia radicalmente das forças políticas tradicionais da esquerda (também de Izquierda Unida) e criou-se num contexto, a partir da segunda metade da década de 90 (segundo o BNG ia atingindo maior representação institucional embora perdera apoios nas urnas) em que o campo nacionalista punha o acento no eleitoral e não no trabalho na sociedade civil, que na Galiza segue a estar muito atomizada e ser muito débil. As consequências daquele abandono foi a desconexão com amplas capas dinâmicas e jovens das contornas urbanas, maioritariamente falantes de castelhano e com escasso ou nulo contacto com o campo nacionalista. A doutrina dos dois mundos do BNG resultou desastrosas e põe ao nacionalismo na situação mais difícil da sua história, o que exige que as bases do campo nacionalista (fundamentalmente Anova e BNG mas nem só) obriguem a retificar às suas irresponsáveis direções políticas, também as que às que tratam ao BNG de jeito análogo a como a doutrina do "social-fascismo" tratava à social-democracia na década de trinta.  (3)
 
Já que logo, por primeira vez em décadas a esquerda galega corre sério risco de deixar de ser hegemónica, particularmente entre a mocidade galega, e a militância moça no campo nacionalista é cada vez mais exígua.

5.- Hoje mais do que nunca FRENTE AMPLA
Para derrotar o bipartidismo na Galiza faz-se patente a necessidade duma alternativa ilusionante e credível, uma frente ampla à margem das forças sistémicas que some aos apoios atuais os de boa parte da abstenção, do voto do PSOE e dos 200.000 galegos e galegas que decidiram votar por outras forças, nulo ou em branco (16'35%, 191.400 votos). Que congregue a toda a esquerda social e esteja ao serviço dela, que retro-alimente a construção duma sociedade civil, como mínimo, equiparável à de Catalunya e Euskadi (mínimo imprescindível também para deter a barbárie a nível europeu que avança imparável e lembra cada vez mais a década de trinta do século XX).
Com o bipartidismo por baixo de 50% dos sufrágios, tal como se prognosticava que ficariam desde Anova quando se apostava pela frente ampla, embora não fossemos capazes de impulsar uma coligação ampla que o derrotasse acelerando o fim da II Restauração bourbónica, portanto, é fundamental apostar pela frente ampla com ou sem as direções políticas de IU e BNG, mas no processo há que construir a expressão política certa do nacionalismo no século XXI e Anova apenas pode impulsar isso desde a generosidade e apostando pela frente ampla.
Desta arte, é imprescindível a construção dum espaço plural no nacionalismo galego, uma força organizada o suficientemente importante para situar a questão nacional galega de forma análoga a Euskadi ou Catalunya. AGE, e com ela Anova, fica em parte fora do espaço de forças ruturistas e dos novos jeitos de fazer política contradizendo as aspirações de Anova desde a sua criação e a última oportunidade para o nacionalismo é apostar por constituir candidaturas de unidade popular em todos os concelhos sem exclusões.
A frente ampla que muitas e muitos defendemos em Anova teria-nos conduzido a um cenário duma coligação que obteria escanos galegos no parlamento europeu sem dependências externas à Galiza e permitiria ter avançado na verdadeira nova política que apenas pode celebrar derrotar o bipartidismo e erguer uma clara alternativa de governo e não um resultado olhado desde a ótica de «partido». Essa frente daria uma imagem bem diferente a muitas e muitos nacionalistas (o maior perigo agora é o enrocamento nos vícios e na morte por sucesso, um êxito que não existe como tentamos expor nestas linhas) teria congregado numa mesma coligação a Primavera Europeia, Podemos, Anova (não o BNG que se negaria a ir com qualquer força espanhola)... com um resultado que constituiria um ensaio de quebra democrática e que nos situaria como alternativa real de governo na Galiza: a integração na Izquierda Plural não era, nem muito menos, um Ther is not alternative para atingir uma caixa de ressonância própria em Estrasburgo tecer alianças a nível europeu.

Temos pois, pouco que celebrar e muito por construir para avançar no nosso horizonte estratégico.
(Sempre em) Galiza (célula de universalidade), 26 de maio de 2014.


Anexos (elaboração própria)


Tábua 1 – Fonte: Ministério do Interior

Europeias 2014, resultados Galiza (Escrutado 99'95%)
Total votantes
1.035.487
45'45%
Abstenção
1.242.655
54'55%
Nulos
26.714
2'58%
Brancos
29.927
2'97%
Tábua 2, Europeias 2014 – Fonte: Ministério do Interior

Candidaturas
Votos
Percentagem
PP
354.743
35'16%
PSOE
219.207
21'73%
AGEE
106.189
10'52%
Podemos
84.216
8'34%
BNG
79.732
7'90%
UPyD
35.099
3'47%
C's
16.309
1'61%
PACMA
10.871
1'07%
CxG
9.641
0'95%
EB
7.914
0'78%
Outros
9'88%

Tábua 3 – Fonte: Ministério do Interior

Europeias 2009, resultados Galiza (100% escrutado)
Total Votantes
1.149.973
43,34%
Abstenção
1.503.436
56,66%
Nulos
7.576
0,66%
Brancos
12.591
1,10%

Tábua 4, Europeias 2009 - Fonte: Ministério do Interior

Candidaturas
Votos
Percentagem
PP
571.320
50'01%
PSOE
403.141
35'29%
BNG
103.724
9'08%
EU-IU
14.956
1'31%
UPyD
14.148
1'24%
LV-GVE
4.780
0'42%
Iniciativa Internacionalista
3.460
0'30%
PACMA
2.580
0'23%
PUM+J
1.613
0'14%
IZAN-RG
1.072
0'09%
POSI
886
0'08%


Tábua 5 – Fonte: Ministério do Interior

ELEIÇÕES NACIONAIS DA GALIZA, 2012 (RESUMO, escrutado 100%, 75 escanos em total)
Votos
1467657
63.8 %
Abstenções
832678
36.2 %
Nulos
37472
2.55 %
Branco
38410
2.69 %

Tábua 6 – Fonte: Ministério do Interior

Eleições Nacionais da Galiza 2012. Votos, percentagem e escanos por candidatura
Cadidatura
Escanos
Votos
Percentagem
PP
41
653.934
45'72%
PSOE
18
293671
20.53 %
AGE
9
200101
13.99 %
BNG
7
145389
10.16 %
UPyD
0
21.212
1.48 %
EB
0
17116
1.19 %
Sociedad Civil y Democracia
0
15781
1.1 %
Compromiso por Galiza
0
14459
1.01 %
PACMA
0
7729
0.54 %



Tábua 7- Extrapolação Europeias 2014 a eleições nacionais na Galiza para 75 escanos – Fonte: Ministério do Interior
























Tábua 8, extrapolação deputados eleições nacionais Galiza para 61 escanos – Fonte: Ministério do Interior

























(1) http://desinformemonos.org/2014/05/adios-al-subcomandante-marcos-nace-galeano/print/

(2)  http://revoltairmandinha.blogspot.com.es/2014/03/um-voto-nulo-pela-regeneracao-de-anova.html

(3)  http://revoltairmandinha.blogspot.com.br/2013/11/a-i-globalizacao-algumas-licoes-para-o.html

terça-feira, 3 de junho de 2014

Resumo do pleno do 2 de junho


No pleno chantadino do passado dia 2 de junho começou-se por aprovar por unanimidade a ata da sessão anterior, correspondente ao dia 10 de abril de 2014. A seguir deu-se conta dos decretos da presidência da câmara municipal e o alcaide deu-lhe as boas-vindas ao novo vereador do PSdG-PSOE José Antonio Neira Vázquez que substitui a um dos históricos da política local chantadina, José Ledo, "Surribas". Com esta mudança o PSOE local fecha um ciclo de renovação, embora Neira participara já no BNG e nos independentes junto a Surribas ou Manuel Anxo Taboada.

 Aprovou-se com os 7 votos de INTA e PP e 5 abstenções (Nacionalistas e PSOE) o regulamento municipal do serviço de ajuda no fogar e a ordenança fiscal reguladora do preço público pela prestação do serviço. Agora passará a ser exposto ao público antes da sua ratificação definitiva. Os recortes da Junta da Galiza fundamentam a suba das quotas aprovada pelo concelho. O PP, responsável em Compostela desses cortes, aprova em Chantada também a suba das taxas, enquanto o Grupo Nacionalista e o PSOE se opuseram e indicaram que devia ser o concelho quem se fizera cargo dessa diferença. Aliás, Ildefonso Piñeiro também insistiu em que aqui as quotas se pagam por tramo de renda algo que INTA se opus a fazer nas piscinas.

No entanto, INTA conseguiu aprovar os pontos 8, 9, 10, 11, 12 e 13 da ordem do dia, com o apoio do PP e a abstenção dos grupos da oposição. Os nacionalistas argumentaram a sua posição tanto para a fatura do São Gonhedo como nos casos do jantar a domicílio ou da puxa de gando frisão que já eram conhecidos em 2013, quanto no caso dos juros de Construcciones Voces por sentença judicial e deveriam ter-se orçamentado já nos orçamentos que se aprovaram correndo pensando nas piscinas e mal em fevereiro de 2014. Mais uma vez a incopetência da equipa de governo fica às claras. Piñeiro indicou que "no caso dos recoñecementos extraxudiciais, xa nos estamos acostumando a esta táctica, gastar fora de orzamento" e logo engadiu: "Non votamos en contra porque os proveedores, as personas, teñen dereito a cobrar polo traballo feito, e votar en contra, en caso de maioria impediría o cobro desas facturas, abstémonos por estar en contra destas prácticas e porque se coñecen eses gastos de antemán, como así se reflexa en algún informe", em alusão ao informe da intervenção do concelho.

Depois, aprovou-se com os votos favoráveis da direita (INTA e PP) e com os votos em contra dos restantes grupos o expediente de Declaração de serviços prioritários. Com isto, o concelho pode proceder à contratação de pessoal laboral temporal, facultando a alcaldia indicar o tempo e o número de contratações, declarando-se prioritários os seguintes:
a.- Peão de obra e oficial de obra.
b.- Auxiliar de ajuda no fogar.
c.- Trabalhadora social
d.- Pessoal de apoio às Escolas Desportivas
e.- Pessoal subvencionado por outras administrações.

A oposição votou em contra logo das contratações a decretaço de Manuel Varela tanto no passado verão como no provesso de seleção das piscinas.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O 25-m em Chantada: ilusão ótica na esquerda, vitória da abstenção (atualizado com resultados por mesas)


Em Chantada, com o 100% escrutado, o 25 de maio foi a vitória da abstenção com 57'54% dos votos. 3107 pessoas sim votaram um 42'52% de participação (frente ao 51'45% das anteriores eleições europeias, e 48'23% em 2004), 2'35% de voto nulo (0'63% nas anteriores) e 4'19% em branco (1'12%).

O PP obtém 42'64% (51'45% nas nacionais de 2012) sendo o partido mais perjudicado pela abstenção e que não teve uma presença em apoderados e mobilização do seu voto (com as práticas já por todas e todos conhecidas) equiparáveis a outros comícios eleitorais. Já que logo, a perda da maioria absoluta da direita em Chantada deve olhar-se com cautela e tendo em conta que a direita em Chantada quando vai dividida (INTA/PP) obtém os seus melhores resultados. Seria uma ilusão ótica extrapolar estes resultados a umas municipais e seria um erro não conglomerar a toda a esquerda real chantadina que desta volta se dividiu entre AGEE, Podemos e BNG.

Nenhuma candidatura absorve uma parte notável da perda do PP, nem UPyD - completamente residual em Chantada- nem o PSOE. A maioria da grande baixada do PP (de 8 pontos) vai-se, já que logo para a abstenção, porque a participação nas eleições nacioanis de 2012 fora de 67'26% (42'52% desta volta). O resultado do PP não é nem muito menos mau se temos em conta as políticas do Governo central, da Junta da Galiza e ainda do concelho de Chantada (este último governado por uma excisão do PP, INTA, apoiada pelo PP).

O PSOE obtém 20'40% dos votos (17'06% nas nacionais de 2012) pelo que confirma, mais uma vez, que existe um travasse de votos entre uma parte do eleitorado do PSOE e INTA que desta volta apostou pelo PSOE, mas que, nas anteriores eleições locais apostara por INTA, que explicam a suba de votos da direita nas anteriores eleições locais (uma candidatura independente atrai voto que nunca iria para o PP).

AGEE obtém 11'83% dos votos emitidos frente aos 18'02% das nacionais de 2012. Por primeira vez desde as municipais Anova perde apoios em Chantada e deixa de ser segunda força. Para onde é que vai este voto? Se somamos o 6'03% de Podemos com o 11'83% de AGEE o resultado é de 17'83%, um resultado muito semelhante ao das nacionais de 2012 com uma pequena diferença que se vai a outros partidos. Por outras palavras, AGE perde parte do voto do espaço de ruptura que vai a Podemos e não confirma as suas expectativas de consolidar o sorpaso ao PASOK espanhol.

Podemos (6'03%) foi a grande ganhadora na Galiza e no Estado e é mais uma mostra de como, eleitoralmente, a Galiza se comporta cada vez mais como o resto do Estado sem um factor nacional próprio bem visível como acontece em Catalunya e Euskadi. As direções políticas do nacionalismo galego de massas (Anova e BNG) deveriam reflexionar fundamente sobre este fenómenos, embora o seu triunfalismo na noite eleitoral fazem que seja duvidável que isto se produza. Podemos contactou com o espaço de ruptura e com um eleitorado menor de 40 anos e, fundamentalmente, castelhano-falante nas vilas e cidades galegas que votava tradicionalmente BNG ou IU e mais recentemente Anova/AGE. Converteu-se na quarta força na Galiza passando por cima dum BNG em queda livre e no caso chantadino a prática totalidade do seu eleitorado votara AGE nas anteriores eleiç4oes nacionais. Podemos revela o imenso peso que a televisão e o mediático tem também entre o eleitorado da esquerda, com especial atenção às redes sociais.

O voto de Podemos é um voto que nasce duma geração de moças e moços que se batizam politicamente com o 15-m e que se formaram de costas ao campo nacionalista, pois naquela altura (finais da década de noventa) começava a sua longa marcha pelas instituições e o quintanismo que deixou o reforço do tecido social num segundo plano (que não consiste em demonstrações mais no trabalho em associações e movimentos de todo teor). Que AGE ou Anova perdam em tão pouco tempo parte desse espaço é uma muito má notícia para a questão nacional galega, máxime quando o BNG é incapaz de reaccionar e fazer autocrítica -semelha que vai afundar no seu isolamento, na sua doutrina dos dois mundos e no seu harakiri algo especialmente grave, terrível, quando grande parte do exíguo tecido social existente na Galiza se liga com essa força-.

O BNG obtém 5'50% sendo uma força já praticamente residual em Chantada face o 6'52% que obteve nas anteriores eleições nacionais. No caso Chantadino é de supor que o voto perdido foi parar a AGE, já que nas anteriores o BNG obtivera um bom número de votos fruto da confusão do eleitorado tradicionalmente nacionalista entre o BNG e Beiras.

Eleições europeias 2014 - Chantada

CANDIDATURA
VOTOS
PERCENTAGEM
PP
1294
42'64%
PSOE
619
20'40%
AGE em Europa – A esquerda plural
359
11'83%
PODEMOS
183
6'03%
BNG
167
5'50%
UPyD
61
2'01%
C'S
35
1'15%
PACMA
29
0'95%
Movimiento Red
23
0'75%

MESA
PP
PSOE
ANOVA
PODEMOS
BNG
São Fiz
100
34
12
14
4
Líncora
51
19
2
9
3
Brigos
52
11
20
3
6
Nogueira
63
10
0
3
2
A Lage
36
19
13
-
6
Muradelhe
60
41
34
-
2
Adá
49
46
16
4
8
Veiga
46
43
16
-
5
Mariz
46
18
18
-
6
Vila Uge
52
16
15
-
0
A Xulfe
48
12
8
-
2
Requeijo
52
15
11
2
7
Totais rural
655
284
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52
59
1-4-A
98
29
24
18
10
1-3-A
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32
24
23
1-3-B
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83
48
33
29
1-1-U
145
80
51
29
25
1-2-U
141
77
39
27
21
Totais Vila
637
335
194
131
108


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Volta abrir a piscina climatizada em Chantada após ficar 4 meses fechada

A piscina climatizada de Chantada volve estar aberta após permanecer quatro meses fechada, desde o 23 de janeiro, dia em que finava o concrato com a empresa que gestionara este serviço municipal após a sua privatização durante a última etapa de Manuel Varela como alcaide do PP. O serviço será atendido por 8 pessoas selecionadas frente às 10 pessoas que trabalhavam nela com anterioridade.

A aposta por fazer o serviço novamente público, algo que desde aqui saudamos, contrasta no entanto com um processo marcado pela desorientação e as irregularidades.

Por último, no plano de equilíbrio orçamentar INTA apontava, com o apoio do PP, que era preciso reduzir o plantel em duas pessoas e ao tempo incrementar as tarifas num 10% (mantendo os 450 associados com os que contava antes do feche), que segundo os nossos cálculos poderia nuns anos significar uma suba real de 30% ou mais pelos desajustes nos cálculos.



20 anos de bravú: o festival de Cans faz-se eco do ANO DO BRAVÚ

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Agro e cinema desde Chantada até Cans

Agro e cinema: No ronsel de Cans
Cans 2013. Foto: Rafa Costas.


Esta quarta-feira começou o Festival de Cans.O agroglamour foi desde o seu início um dos seus sinais de identidade ao longo das suas onze edições, que consolidaram este festival de curtametragens e nesta edição Chantada será representada através de Alfredo Pardo e Chantada Films, responsáveis do vídeo-clip "Narco-corrido ribeirao" do grupo também rural Liviao de Marrao.

 Com um destacado impato internacional e um peso sensível no panorama audiovisual galego, Cans mostrou as possibilidades da sua original proposta: novos jeitos de cultura além dos espaços urbanos. Porém o cinema Chantadino vai além de Cans e quer ubicar-se num espaço rural com expresões culturais próprias e, por vezes, na vanguarda cultural da Galiza, embora o foco normalmente recaia sobre os espaços urbanos na configuração urbanocéntrica do sistema-mundo capitalista atual.

Em Chantada lança-se a ideia do CINEMA PALHEIRISO, uma proposta que visa, por médio da restauração dum antigo palheiro da vila, criar uma sala de projeções recuperando a fórmula empregada pelas companhias itinerantes em muitas paróquias do país durante o século XX. Os responsáveis da iniciativa, o cineclube Os Papeiros e a Federação de Cineclubes da Galiza, explicam que se empregará para celebrar os trinta anos da Federação.



 

 Chantada Films promove igualmente desde há anos o Rural Underground, cinema de vanguarda que se associa à promoção e defesa da língua galega, da paisagem galega e da participação no cinema dos núcleos tradicionais de população: Garibolis, Lola ou O labirinto ário são algumas das suas curta-metragens; ao pé doutras iniciativas como numerosos spots, para o festival de música alternativa Castanhaço-rock, que vai caminho da sua XII edição neste 2014; ou vídeo-clips para grupos de rock da comarca como Miguel Costas ("No me da la gana") e Liviao de Marrao ("Narco-corrido ribeirao").

No seu site, explica-se que é um método expressivo de revolução estética vanguardista, inventando e experimentando atrevidos recursos fílmicos mediante o emprego de mecanismos narrativos para construir uma realidade alternativa que, apelando às emoções, consiga influir nas mentes e vontades. Curtas já que logo centradas em Chantada e na sua contorna. Uma excelente nova a sua nominação em Cans neste 2014 da que também se fez eco a televisão de Chantada: Televinte. Chantada tem um potencial cultural ingente, embora atomizado, o que require tecer redes de integração de iniciativas e propostas culturais feitas desde Chantada e para Chatnada.


Os nacionalistas de Sober posicionam-se contra a lei de Telecomunicações

  A vereadora nacionalista Paula Vázquez Verao, colaboradora deste médio, apresentou recentemente uma moção em Sober para intar a apresentar um recurso de inconstitucionalidade contra a Lei 9/2014 de Telecomunicações ao passar por cima das competências municipais.
 
O controlo público sobre as telecomunicações é uma garantia democrática do direito à informação, segundo explica na moção Verao, e com a nova lei estatal de telecomunicações prima-se o interesse privado das grandes operadoras de telecomunicações frente o interesse comum do controlo democrático das telecomunicações e a costa da proteção do meio ambiente, dos espaços históricos e da saúde das pessoas. Aliás, a lei é uma nova volta de porca na recentralização, cada vez mais funda, do Estado espanhol.
 
A moção, com o argumentário completo é a seguinte:
 
  
MOCIÓN que presenta a Concelleira Non Adscrita, Paula Vaźquez Verao, ante o Concello-Pleno de Sober sobre a LEI 9/2014 DE TELECOMUNICACIÓNS

O pasado 10 de maio publicouse no BOE a Lei 9/2014, de Telecomunicacións, con entrada en vigor o 12 de maio de 2014.

Esta nova lei estatal supón unha recentralización competencial en materia de telecomunicacións, moi superior á extinta Lei 32/2003, e baleira completamente de contido as xa cativas competencias da Xunta que lle atribuía a recentemente aprobada lei autonómica Lei 3/2013, do 20 de maio, de impulso e ordenación das infraestruturas de telecomunicacións de Galiza, que queda así baleira de contido.

Esta nova lei estatal abonda na liberalización das telecomunicacións - a maior gloria e beneficio das operadoras privadas - grazas á supresión ou limitación de controis administrativos e de protección ambiental ou urbanística para a súa autorización, posta en servizo ou modificación, mesmo con carácter retroactivo.
A lei abre a porta á colocación de infraestruturas de telecomunicación onde e cando queiran as operadoras, tamén en espazos naturais protexidos ou en zonas históricas. As xa cativas competencias municipais e autonómicas en relación cos plans de despregamento e implantación das telecomunicacións quedan reducidas ao mínimo, sendo o goberno do Estado quen asume dita función de control.

Ante esta recentralización do Estado en materia de telecomunicación, as forzas políticas defensoras do municipalismo debemos reclamar a presentación inmediata de recurso de inconstitucionalidade contra a lei estatal, para garantir o mellor control democrático do despregamento das infraestructuras de telecomunicacións.

No que afecta ás competencias municipais, destacamos o seguinte:

- A nova lei extende xeneralizadamente a execión de control preventivo municipal (licenza de actividade ou de funcionamento), incluíndo novos supostos.
Na Lei 12/2012 xa se suprimía o trámite de licenza municipal previa, pero exceptuando de dita exención os casos que ocupasen unha superficie superior a 300 m2 ou, tratándose de instalacións de nova construcción, aqueles que tiveran impacto en espazos naturais protexidos, no patrimonio histórico-artístico o no uso privativo e ocupación dos bens de dominio público. Coa nova lei, substitúense as licenzas municipais por declaracións responsábeis nos supostos de ter a operadora de telecomunicacións aprobado plan de despregamento, suprimindo as licenzas previas aínda que as actuacións afecten a Rede Natura ou ao patrimonio histórico e aínda que as actuacións ocupen máis de 300 m2. Ademais, as actualizacións tecnolóxicas nas instalacións en servizo (que non afecten aos mástiles) non requerirán autorización de ningún tipo. E ditos cambios teñen eficaza retroactiva, na medida en que as solicitudes en trámite poderán ser substituídas xa por declaracións responsables.

- Limítase extraordinariamente a potestade de instalación e explotación de redes polas administracións públicas, xa que, ademáis de que é o Estado quen mediante Real Decreto fixará as condicións, a propia lei (art. 9) precisa que dita explotación se subordina ao “ principio de inversor privado” e sempre e cando nos distorsionen a competencia e non exista interés de concurrencia no sector privado. A subordinación do público (interese público xeral) ao privado deixa en papel mollado o art. 128 da Constitución.

- Se os concellos quixeran solicitar información ás operadoras deberán solicitalo previamente ao Estado (art. 10.2); forma de información que, por riba, será fixada por Real Decreto do estado (art. 34.4).

- O art. 34 da nova lei estatal limita a potestade dos instrumentos de planificación (plans ou ordenanzas), en tanto en canto “ non poderán establecer restricións absolutas ou desproporcionadas ao dereito de ocupación do dominio público e privado dos operadores nin impoñer solución tecnolóxicas concretas, itinerarios ou ubicacións concretas nos que instalar infraestructuras de rede de comunicacións electrónicas”, disposición que excede do que ben fixando a Xurisprudencia ao respecto das competencias locais en materia do réxime de distancias das infraestruturas (por exemplo, antenas de telefonía) a zonas sensibles (colexios, hospitais, zonas verdes, centros históricos, etc), así como en relación coa potestade de fixación polas CC.AA de normas sobre os requisitos mínimos das instalación en relación coa competencia plena en materia de urbanismo e ordenación territorial. Así, os municipios vén limitada a súa capacidade de ordenación de distancias das infraestructuras de telecomunicación en relación a espazos sensibles (naturais, históricas, sociais).
Do mesmo xeito, o principio de sustentabilidade ambiental (e da correlativa obriga de empregar a máis eficiente tecnoloxía disponible) e a determinación pola Xunta das normas para que os proxectos das instalacións “minimicen o seu impacto sobre o contorno, a paisaxe, o ambiente e o patrimonio cultural” quedan borrados pola lei estatal.

- A obrigatoriedade de uso compartido das instalacións polas administracións e operadoras pasa a ser asumido polo goberno do Estado, tanto respecto ás condicións como á propia decisión de obrigatoriedade.
Así, no art. 32 da lei estatal, é o Ministerio de Industria, Enerxía e Turismo o que aproba por Real Decreto, previo trámite de audiencia aos operadores, con carácter xeral ou para casos concretos, a utilización compartida do dominio público ou a propiedade privada na que se van establecer as redes públicas de comunicacións electrónicas o uso compartido das infraestructuras e recursos asociados.
É tamén o Ministerio o que resolverá sobre a petición dunha Administración Pública (coma un Concello) sobre tal uso compartido.

- O art. 35.5 da nova lei estatal obriga a que previamente a medidas de paralización cautelar ou de denegación de instalación, por exemplo, dos concellos respecto de obras de infraestrutura de telecomunicacións, teña que recabarse un informe preceptivo previo – e vinculante - do Ministerio; medida que vulnera a autonomía local.

O control público sobre as telecomunicacións é unha garantía democrática do dereito á información.
Coa nova lei estatal de telecomunicacións prímase o interese privado das grandes operadoras de telecomunicacións fronte ao interese común do control democrático das telecomunicacións e a costa da protección do medio ambiente, dos espazos históricos e da saúde das persoas.
Os concellos, administración máis próxima á cidadanía, perderán competencias nesta materia en beneficio dunha recentralización do Estado.

Polo exposto, proponse a adopción por parte do PLENO dos seguintes ACORDOS:

- A Corporación Municipal de Sober insta ao Goberno da Xunta de Galiza a presentar un recurso de inconstitucionalidade contra a Lei de Telecomunicacións pola invasión, baleirado e desapoderamento de competencias autonómicas propias.
- A Corporación Municipal de Sober acorda propoñer dentro da FEGAMP a presentación polo número de concellos requeridos dun conflito en defensa da autonomía local ante o Tribunal Constitucional contra a Lei de Telecomunicacións pola invasión, baleirado e desapoderamento de competencias municipais.

O Lama das Quendas aumenta a listaxe de demandantes da EOI e non compren...