quarta-feira, 11 de junho de 2014

A era dos dereitos económicos

Jorge Pérez Árias.


Fai un tempo un novo carteiro chegou a Pantón para facer as vacacións dun dos carteiros titulares. Era verán e a calor abafaba polas ribeiras e outeiros do concello ao pouco de romper o día. A auga perdíase baixo a ponte de Frieiras e daba unha sensación de salvación cando un pasaba a pé sobre ela; daquela na galega aínda non falaban dos nosos veráns coma dos máis calorosos de Europa, pero érano xa. Daquela Pantón era aínda un concello cun censo máis elevado que o actual, os camiños comezaban xa a inzar de monte e os xabaríns a ser os amos absolutos das paraxes que antes foran territorio dominado polos labregos. Era unha batalla perdida contra o tempo, que despoboaba os núcleos rurais da contorna e á vez inzaba os vellos camiños das ribeiras, montes e outeiros dunha maleza para a que xa non había mans novas dispostas a rozalos.
O novo carteiro asumiu o reto de facer aquela substitución do verán; esas substitucións para as que nos apuntabamos moitos e que só uns poucos escollidos pola man de Deus acaban facendo. Ese é un dos grandes cismas da nosa terra, que abandona aos que nunca a abandonaron.
Haberá que pensar na odisea daquel mozo, creo que de Monforte e que nunca pisara o noso concello na vida, para dar ca metade das aldeíñas e parroquias que se perdían pola orografía salvaxe da  nosa ribeira. Imaxínoo en Frontón, por exemplo, unha das aldeas que pola súa entidade ben puideran considerarse vila noutros tempos e que chegou a ter tres cantinas e varios negocios. Alí as casiñas típicas xúntanse coas de nova construción ao longo dunha terra que mira á provincia de Ourense e ao concello de Sober.
Aquel rapaz provisto das correspondencias dos veciños de toda a vida foi a Acedre, tiña que levar varias cartas para algunha veciña maior que probablemente nunca do lugar saíra. Así que cando chegou e viu o nome da veciña (da que aínda hoxe non sei o nome) preguntou cal era a súa casa; a sorpresa foi maiúscula cando ningún veciño ao velo nome que aparecía na carta podía dicirlle cal era a casa na que a tiña que deixar. Tivo que ir unha por unha preguntando se aquela era a casa ou non. Ao atopala debeu descansar aliviado. A explicación para isto reside en que a carta era para a Maruja do e en Acedre hai cinco ou seis Marujas de/do.
Esta pequena historia, pode que ata aburrida para o lector que a estea a ler, a min explícame algo moi transcendente: o porque da brecha que se está a abrir neste país entre os que viven no urbano e os que viven no interior, nun entorno onde a modernidade chega con atraso e onde a necesidade non se cobre por que non entra nos criterios económicos da rendibilidade. Nalgúns casos tamén, moitos, nos da rendibilidade política. Os criterios da rendibilidade inzan no espectro ideolóxico galego de dereita a esquerda, se cadra máis na esquerda posto que abandona esa zona do país ao ver que é un caladoiro de votos da dereita. Mais a dereita tampouco se acorda de nós porque, a pesar de estarmos sobrerrepresentados na distribución de escanos das nosas provincias, sabe que onde se xoga o negocio económico da política e o político da política é no urbano.
Sucede porque non somos rendibles no rural, non somos cidadáns de dereito propiamente, senón que somos o Jorge do, O Pepe da ou a Maruja do. Os dereitos da nosa era naceron nun tempo, os do liberalismo, onde todo xiraba ao redor do homo economicus.Os dereitos de hoxe son dereitos non sociais senón económicos que só poden exercerse se tes capacidade económica para demandalos. O que deberan pór nas nosas tarxetas do censo electoral se algún día os políticos que nos piden o voto quixeran saber quen somos realmente é que somos a Maruja do ou o Pepe da. Polo menos ata o día en que os dereitos sexan non só económicos e tamén sociais.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Continuam as mobilizações em Chantada que reclamam o direito a decidir e constitui-se Podemos Chantada






O passado sábado em Chantada reuniram-se 22 pessoas às 20:30 horas para reclamar o direito a decidir das e dos cidadãos. Pela república galega e pela república espanhola, mas não apenas mediante um referendo, mas abrindo processos constituintes abertos  e por abaixo em todas as nações do Estado espanhol.


De por parte,esse mesmo sábado consituiu-se em assembleia ("círculo") Podemos Chantada. Nessa juntança criou-se uma ferramenta comunicativa em que poderão participar todas aquelas pessoas que participem nalguma reunião física do partido. Aquelas pessoas interessadas nesta nova formação política chantadina de esquerdas podem contactar com Fabiana García Porto, Isaac Viana ou Martín Rodríguez.

Desde A voz do Agro saudamos o nascimento deste novo partido e desejamos-lhe muito sucesso ao tempo que aguardamos que as forças de esquerda da vila (BNG, Podemos, Anova) continuem a tecer unidade popular, como já se está a fazer nestas mobilizações unitárias que embora sejam convocatórias cidadãs contam com membros de todas estas formações (e também do PSOE local).





quarta-feira, 4 de junho de 2014

Reacción en prol do referendo sobre a monarquía, tamén en Chantada 02 06...

Análise dos resultados na Galiza do 25-M: ilusões óticas da esquerda galega, margem de manobra e esperança

Opinião de Antom Fente Parada.

 "Para rebelar-se e lutar não são necessários nem líderes nem caudilhos, nem Messias nem salvadores; para lutar apenas se precisa um pouco de vergonha, um tanto de dignidade e muita organização, o demais ou serve para o coletivo ou não serve", subcomandante Marcos. (1)

Talvez o melhor resumo da passada jornada eleitoral na Galiza seja verificar mais uma vez a irresponsabilidade das direções políticas da esquerda galega, que celebraram este resultado em todos os casos como uma vitória, quando apenas Podemos tem algo a celebrar ao converter-se na expressão política do 15-m em todo o Estado. A continuação faremos uma análise que inclui ao final uma série de gráficos e dados para que o leitor poda fazer a sua própria análise e corroborar se a leitura que aqui se faz é acertada ou não.

1.- Golpe ao bipartidismo na Galiza?

No conjunto do Estado houve uma clara queda do bipartidismo, embora deve ser matizada pela alta abstenção. O descalabro do PSOE, em clara pasokização, forçou a saída de Alfredo Pérez Rubalcaba da direção do PSOE e os dois grandes partidos sistémicos da II Restauração bourbónica ficaram por primeira vez por baixo de 50% de apoios (frente 66'40% das anteriores europeias), embora a situação mude se se lhe engadem os apoios doutras forças de direita e extrema direita e se atendemos à abstenção. Também o bipartidismo tem margem, a começar pelo asédio a Podemos principal alternativa de governo neste momento no Estado, embora tira-se menos deputados do que IU. Um assédio que sofreram já com anterioridade AGE e BNG na Galiza.

Aliás, na Galiza o bipartidismo resiste melhor do que no conjunto do Estado espanhol: por uma parte o PP é o partido mais prejudicado pela abstenção, mas não despregou toda a sua maquinária eleitoral –especialmente no rural e nas vilas– e, igualmente grave, PSOE recupera apoios e percentagem de voto a diferença do conjunto do Estado.

Se cotejamos os dados de abstenção entre autonomias governadas pelo PP ou não, interior e costa na Galiza ou rural e urbano fica às claras que boa parte dos votos que perde o PP ficam na abstenção e não vão a outras opções e que esta, embora afete a todas as forças, se concentra em maior medida no tradicional votante do PP.

O PP segue a ser a força mais votada na Galiza (35'16%), como desde 1989, mas os 354.743 votos são o seu pior resultado da história, nunca baixaram dos 500.000 votos. Assim as coisas, o PP perde 220.000 votos em comparação com as europeias de 2009 e mais de 100.000 votos a respeito das eleições nacionais de 2009, quando Feijoo se convertera em presidente da Junta.

O PSOE perde 184.000 votos a respeito das europeias de 2009 e obtém o pior resultado também desde 1989, embora se mantenha inopinadamente como segunda força, mas que permitiu que Besteiro e Pepe Blanco celebraram os resultados em sendas cenas buñuelescas. A ilusão ótica que permite ao PSOE manter ainda o seu segundo posto é a divisão do eleitorado de AGE nas passadas eleições galegas.

2.- Alternativa Galega de Esquerdas em Europa: celebramos a fragmentação do eleitorado de AGE?

A percentagem de voto de AGEE na Galiza é semelhante à de IU noutras comunidades autónomas e, em geral, a Galiza comportou-se eleitoralmente como o resto do Estado em todos os eidos: maior abstenção onde governa o PP, irrupção de Podemos parelha a IU... Não houve uma maior participação como nos territórios onde a questão nacional é chave (Euskadi, Catalunya e Nafarroa) nem um aumento significativo do voto soberanista como sim aconteceu nos casos de EH Bildu e ERC. É difícil não ver um retrocesso da consciência nacional deste país e do campo nacionalista em geral o que nos deveria fazer reflexionar a todos os aderentes da esquerda galega, independentemente do espaço em que militemos.

Cumpre assinalar igualmente que AGE, sobretudo nas contornas urbanas e semi-urbanas que foi onde teve mais pulo nas eleições ao parlamento galego, perde força e que Anova perdeu boa parte do eleitorado desse espaço de rutura e orfandade da esquerda que queria recuperar. Já que logo, a integração em IU –percebida por boa parte do nosso eleitorado como mais uma força sistémica– não supus um plus, não se conseguiu dar o sorpasso ao PSOE (que sim se dera nalgumas cidades já naquela altura) e demonstra a enorme falácia dos 200.000 votos para converter uma fronte ampla e dialética (AGE) numa fórmula fixa integrando-nos na Izquierda Plural (AGEE). A soma de Podemos e AGEE dá uma soma semelhante aos 200.000 votos daquele então e sim teria permitido dar o sorpasso ao PSOE e que era uma aposta dos que defendiamos uma frente ampla diferente à integração em IU. Lembremos o que dizia Xosé Manuel Beiras quando dava o seu apoio à opção 1 no referendo interno de Anova:
a conexión/re-conexión entre forzas polìticas e plataformas/movementos cívicos, nos diversos eidos dese mesmo ámbito estatal, segue a ser, con poucas excepcións, un mero desideratum. Mesmo algún movemento recentemente emerxente (como 'Podemos') é, para min, unha incógnita, tanto na sua índole canto no rol que pretenda ter e nos compromisos, e condicións dos mesmo, que esteña disposto a suscreber con algunhas forzas políticas.

Porém, AGE é a força que mais baixa ao perder 24'47% de apoios, frente aos 21'86% que perde o BNG e um PSOE que sobe em percentagem de voto. Na cidade da Crunha a situação ainda é pior: AGE deixa de ser a segunda força para ficar por trás de Podemos. Assim AGE passa de 200.828 votos nas eleições galegas (13'90%) a 105.605 (10'52%) com uma descida de votos de 47'41% e em percentagem de voto de 24'47%.

A pesar da excelente notícia de situarmos a Lídia Senra na euro-câmara os resultados na Galiza não são determinantes para que Anova atingira representação (nº 5 na listagem de La Izquierda Plural), dependendo do resultado de IU no conjunto do Reino de Espanha. Integrar-se em IU não se justifica com 0'6% de deputada quando a configuração da frente ampla poderia ter sido outra: Anova, Podemos, Compromís, Equo, Chunta Aragonesista... Anova tinha como alvo representar um espaço órfão de representação e advogar pela frente ampla como expressão política e social na defesa da maioria social agredida sendo a superação do PSOE uma realidade ao alcance. Longe de conseguir isso perdeu a metade dos votos, fundamentalmente em favor de Podemos, pois uma parte do eleitorado vê a IU como mais uma força do sistema na Galiza e no conjunto do Estado e não como uma força de rutura ou em consonância com o espaço político criado pelo 15-m.

Uma frente ampla de verdade e não uma integração teria permitido a nível Estado uma derrota sem paliativos do bipartidismo e uma mobilização maior dos votantes da esquerda e do espaço de rutura da sociedade civil mais viçosa do Estado.


3.- BNG: a orquestra do Titanic segue a tocar

O BNG ficou 30.000 votos por cima do seu pior registo (Estatais de 1989) e perdeu 24.000 votos a respeito das anteriores europeias. O triunfalismo da sua direção, que causou mal-estar em grande parte dos seus votantes, dava a imagem da orquestra do Titanic, embora Ana Miranda mantenha o seu escano em Europa por mor dos apoios recebidos por EH Bildu.

Contudo, o triunfalismo da direção do BNG pode responder a que seus prognósticos eram ainda piores, a pesar de que o BNG hoje já é a quinta força na Galiza superado por Podemos e nas cidades, excetuando Ponte Vedra, fica reduzido ao mínimo se bem é certo que semelha que tucou fundo - sempre e quando não se exclua duma frente ampla que sim englobe às restantes forças à esquerda do PSOE-.

Se as bases não obrigam a mudar o rumo à direção do BNG paira uma grave ameaça de descomposição da base social mais importante do campo nacionalista o que não é uma boa notícia para ninguém que apoie a emancipação social e nacional do povo galego. As direções políticas irresponsáveis do campo nacionalista (e as e os militantes irresponsáveis que as sustentamos) têm que entender que:  
a) a expressão eleitoral apenas pode entender-se como uma ferramenta, uma caixa de ressonância, do poder social em ação onde se erguem as alternativas reais frente a umas instituições apodrecidas e ao serviço do aparato de Estado (propriedade da oligarquia do capitalismo de amiguinhos do Reino de Espanha);
b) Galiza precisa, seja como for, situar a questão nacional no contexto de quebra democrática e podridão da II Restauração bourbónica e isso apenas se consegue sendo alternativa real para o conjunto da esquerda social da nossa nação (soberanista ou não), possibilitando que o campo nacionalista conecte com o conjunto do espaço de rutura e as capas órfãs de representação para o que cumpre apostar pela frente ampla inclusiva e não por fórmulas fixas excluintes, seja quem for o parceiro;
c) o campo soberanista (nacionalista / galeguista / independentista ou como se lhe quiser chamar) deve abandonar a doutrina dos dois mundos (nacionalista/espanholista), em que está instalado o BNG, e advogar por uma frente ampla que unifique a todo o espaço ruturista e que tão pouco passa pela entrega entusiasta a IU qualificando o resto do campo nacionalista como "chovinista". Sem o BNG (ao menos a sua base social), Anova terá muito difícil por sim própria reverter a já clara perda da hegemonia da esquerda galega entre a mocidade e pôr a questão nacional à mesma altura do que a questão social (pois no mundo real são inseparáveis e não se podem solventar as problemáticas sociais, económicas, culturais... sem termos soberania como povo), algo com nefastas consequências para o horizonte estratégico partilhado pelo conjunto do campo nacionalista e para o povo trabalhador gaelgo. O que está em jogo é a expressão política de todo o campo nacionalista e a sua sobrevivência e reprodução não que partido ou família leva razão. (2)

4.- O fenómeno Podemos: apenas Yes we can à espanhola ou espaço órfão de representação e fator chave para a síntese necessária entre a esquerda clássica e as novas conceções da esquerda para avançarmos no século XXI?

O fenómeno Podemos desbordou as previsões de todas as direções políticas da esquerda galega (e também de IU), mas não fomos poucas as vozes (desde posições muito diferentes e com adesão entusiasta ou desde uma posição crítica) que dizíamos que Podemos seria às europeias o que AGE às galegas. Assim foi e assim se demonstra a enorme importância das redes sociais e dos mass media no voto –mais na esquerda do que na direita– para bem e para mal. Podemos criticar o emprego da foto do seu líder como logo, a sua nula implantação territorial na Galiza, a sua ambígua aposta pelo galego, a sua retórica keynesiana, a sua estética pós-moderna (há para todos os gostos)... mas conseguiu conectar com um eleitorado ao que não chega a esquerda tradicional, segmento fundamental para a rutura e para emancipação nacional, e com o que sim conectara AGE nas eleições galegas. 
 
Embora, pela experiência, estes processos-lostrego rematem por criar fundas fendas internas, a irrupção do oportunismo e o eleitoralismo, profundos ataques externos e, ao cabo, políticas não substancialmente diferentes nas instituições que produzem um desencanto que alimenta a confussão, a impostura, a desorientação e, ao cabo, a extrema direita ou o mantimento do status quo; o certo é que a esquerda mais “clássica” tem muito que achegar a novas fórmulas políticas, mas também muito do que apreender e deve tratar estas fórmulas em igualdade de condições para possibilitar a melhor síntese possível para a esquerda do século XXI (ontem a vanguarda foi ontem o POUM e hoje são as CUP): tenham razão os clássicos ou os pós-modernos sem frente ampla não haverá sucesso possível nem segundas oportunidades. A questão deve redimir-se, já que logo, através do debate e a honestidade intelectual e da pressão das bases de todo o campo nacionalista, superando o confronto Anova-BNG que lembram ao KPD e à SPD da República de Weimar.
Podemos, com escassos meses de vida, iguala praticamente a uma AGE que perde metade do seu eleitorado em tempo recorde e recolhe o modelo e discurso fresco e bem sucedido de AGE em 2012. 
 
O eleitorado de Podemos, também na Galiza, baptiza-se politicamente no 15-m, desconfia radicalmente das forças políticas tradicionais da esquerda (também de Izquierda Unida) e criou-se num contexto, a partir da segunda metade da década de 90 (segundo o BNG ia atingindo maior representação institucional embora perdera apoios nas urnas) em que o campo nacionalista punha o acento no eleitoral e não no trabalho na sociedade civil, que na Galiza segue a estar muito atomizada e ser muito débil. As consequências daquele abandono foi a desconexão com amplas capas dinâmicas e jovens das contornas urbanas, maioritariamente falantes de castelhano e com escasso ou nulo contacto com o campo nacionalista. A doutrina dos dois mundos do BNG resultou desastrosas e põe ao nacionalismo na situação mais difícil da sua história, o que exige que as bases do campo nacionalista (fundamentalmente Anova e BNG mas nem só) obriguem a retificar às suas irresponsáveis direções políticas, também as que às que tratam ao BNG de jeito análogo a como a doutrina do "social-fascismo" tratava à social-democracia na década de trinta.  (3)
 
Já que logo, por primeira vez em décadas a esquerda galega corre sério risco de deixar de ser hegemónica, particularmente entre a mocidade galega, e a militância moça no campo nacionalista é cada vez mais exígua.

5.- Hoje mais do que nunca FRENTE AMPLA
Para derrotar o bipartidismo na Galiza faz-se patente a necessidade duma alternativa ilusionante e credível, uma frente ampla à margem das forças sistémicas que some aos apoios atuais os de boa parte da abstenção, do voto do PSOE e dos 200.000 galegos e galegas que decidiram votar por outras forças, nulo ou em branco (16'35%, 191.400 votos). Que congregue a toda a esquerda social e esteja ao serviço dela, que retro-alimente a construção duma sociedade civil, como mínimo, equiparável à de Catalunya e Euskadi (mínimo imprescindível também para deter a barbárie a nível europeu que avança imparável e lembra cada vez mais a década de trinta do século XX).
Com o bipartidismo por baixo de 50% dos sufrágios, tal como se prognosticava que ficariam desde Anova quando se apostava pela frente ampla, embora não fossemos capazes de impulsar uma coligação ampla que o derrotasse acelerando o fim da II Restauração bourbónica, portanto, é fundamental apostar pela frente ampla com ou sem as direções políticas de IU e BNG, mas no processo há que construir a expressão política certa do nacionalismo no século XXI e Anova apenas pode impulsar isso desde a generosidade e apostando pela frente ampla.
Desta arte, é imprescindível a construção dum espaço plural no nacionalismo galego, uma força organizada o suficientemente importante para situar a questão nacional galega de forma análoga a Euskadi ou Catalunya. AGE, e com ela Anova, fica em parte fora do espaço de forças ruturistas e dos novos jeitos de fazer política contradizendo as aspirações de Anova desde a sua criação e a última oportunidade para o nacionalismo é apostar por constituir candidaturas de unidade popular em todos os concelhos sem exclusões.
A frente ampla que muitas e muitos defendemos em Anova teria-nos conduzido a um cenário duma coligação que obteria escanos galegos no parlamento europeu sem dependências externas à Galiza e permitiria ter avançado na verdadeira nova política que apenas pode celebrar derrotar o bipartidismo e erguer uma clara alternativa de governo e não um resultado olhado desde a ótica de «partido». Essa frente daria uma imagem bem diferente a muitas e muitos nacionalistas (o maior perigo agora é o enrocamento nos vícios e na morte por sucesso, um êxito que não existe como tentamos expor nestas linhas) teria congregado numa mesma coligação a Primavera Europeia, Podemos, Anova (não o BNG que se negaria a ir com qualquer força espanhola)... com um resultado que constituiria um ensaio de quebra democrática e que nos situaria como alternativa real de governo na Galiza: a integração na Izquierda Plural não era, nem muito menos, um Ther is not alternative para atingir uma caixa de ressonância própria em Estrasburgo tecer alianças a nível europeu.

Temos pois, pouco que celebrar e muito por construir para avançar no nosso horizonte estratégico.
(Sempre em) Galiza (célula de universalidade), 26 de maio de 2014.


Anexos (elaboração própria)


Tábua 1 – Fonte: Ministério do Interior

Europeias 2014, resultados Galiza (Escrutado 99'95%)
Total votantes
1.035.487
45'45%
Abstenção
1.242.655
54'55%
Nulos
26.714
2'58%
Brancos
29.927
2'97%
Tábua 2, Europeias 2014 – Fonte: Ministério do Interior

Candidaturas
Votos
Percentagem
PP
354.743
35'16%
PSOE
219.207
21'73%
AGEE
106.189
10'52%
Podemos
84.216
8'34%
BNG
79.732
7'90%
UPyD
35.099
3'47%
C's
16.309
1'61%
PACMA
10.871
1'07%
CxG
9.641
0'95%
EB
7.914
0'78%
Outros
9'88%

Tábua 3 – Fonte: Ministério do Interior

Europeias 2009, resultados Galiza (100% escrutado)
Total Votantes
1.149.973
43,34%
Abstenção
1.503.436
56,66%
Nulos
7.576
0,66%
Brancos
12.591
1,10%

Tábua 4, Europeias 2009 - Fonte: Ministério do Interior

Candidaturas
Votos
Percentagem
PP
571.320
50'01%
PSOE
403.141
35'29%
BNG
103.724
9'08%
EU-IU
14.956
1'31%
UPyD
14.148
1'24%
LV-GVE
4.780
0'42%
Iniciativa Internacionalista
3.460
0'30%
PACMA
2.580
0'23%
PUM+J
1.613
0'14%
IZAN-RG
1.072
0'09%
POSI
886
0'08%


Tábua 5 – Fonte: Ministério do Interior

ELEIÇÕES NACIONAIS DA GALIZA, 2012 (RESUMO, escrutado 100%, 75 escanos em total)
Votos
1467657
63.8 %
Abstenções
832678
36.2 %
Nulos
37472
2.55 %
Branco
38410
2.69 %

Tábua 6 – Fonte: Ministério do Interior

Eleições Nacionais da Galiza 2012. Votos, percentagem e escanos por candidatura
Cadidatura
Escanos
Votos
Percentagem
PP
41
653.934
45'72%
PSOE
18
293671
20.53 %
AGE
9
200101
13.99 %
BNG
7
145389
10.16 %
UPyD
0
21.212
1.48 %
EB
0
17116
1.19 %
Sociedad Civil y Democracia
0
15781
1.1 %
Compromiso por Galiza
0
14459
1.01 %
PACMA
0
7729
0.54 %



Tábua 7- Extrapolação Europeias 2014 a eleições nacionais na Galiza para 75 escanos – Fonte: Ministério do Interior
























Tábua 8, extrapolação deputados eleições nacionais Galiza para 61 escanos – Fonte: Ministério do Interior

























(1) http://desinformemonos.org/2014/05/adios-al-subcomandante-marcos-nace-galeano/print/

(2)  http://revoltairmandinha.blogspot.com.es/2014/03/um-voto-nulo-pela-regeneracao-de-anova.html

(3)  http://revoltairmandinha.blogspot.com.br/2013/11/a-i-globalizacao-algumas-licoes-para-o.html