sexta-feira, 13 de junho de 2014
quarta-feira, 11 de junho de 2014
A era dos dereitos económicos
Jorge Pérez Árias.
Fai
un tempo un novo carteiro chegou a Pantón para facer as vacacións dun
dos carteiros titulares. Era verán e a calor abafaba polas ribeiras e
outeiros do concello ao pouco de romper o día. A auga perdíase baixo a
ponte de Frieiras e daba unha sensación de salvación cando un pasaba a
pé sobre ela; daquela na galega aínda
non falaban dos nosos veráns coma dos máis calorosos de Europa, pero
érano xa. Daquela Pantón era aínda un concello cun censo máis elevado
que o actual, os camiños comezaban xa a inzar de monte e
os xabaríns a ser os amos absolutos das paraxes que antes foran
territorio dominado polos labregos. Era unha batalla perdida contra o
tempo, que despoboaba os núcleos rurais da contorna e á vez inzaba os
vellos camiños das ribeiras, montes e outeiros dunha maleza para a que
xa non había mans novas dispostas a rozalos.
O
novo carteiro asumiu o reto de facer aquela substitución do verán; esas
substitucións para as que nos apuntabamos moitos e que só uns poucos
escollidos pola man de Deus acaban facendo. Ese é un dos grandes cismas da nosa terra, que abandona aos que nunca a abandonaron.
Haberá
que pensar na odisea daquel mozo, creo que de Monforte e que nunca
pisara o noso concello na vida, para dar ca metade das aldeíñas e
parroquias que se perdían pola orografía salvaxe da nosa ribeira.
Imaxínoo en Frontón, por exemplo, unha das aldeas que pola súa entidade
ben puideran considerarse vila noutros tempos e que chegou a ter tres
cantinas e varios negocios. Alí as casiñas típicas xúntanse coas de nova
construción ao longo dunha terra que mira á provincia de Ourense e ao
concello de Sober.
Aquel
rapaz provisto das correspondencias dos veciños de toda a vida foi a
Acedre, tiña que levar varias cartas para algunha veciña maior que
probablemente nunca do lugar saíra. Así que cando chegou e viu o nome da
veciña (da que aínda hoxe non sei o nome) preguntou cal era a súa casa;
a sorpresa foi maiúscula cando ningún veciño ao velo nome que aparecía
na carta podía dicirlle cal era a casa na que a tiña que deixar. Tivo
que ir unha por unha preguntando se aquela era a casa ou non. Ao atopala
debeu descansar aliviado. A explicación para isto reside en que a carta
era para a Maruja do e en Acedre hai cinco ou seis Marujas de/do.
Esta
pequena historia, pode que ata aburrida para o lector que a estea a
ler, a min explícame algo moi transcendente: o porque da brecha que se
está a abrir neste país entre os que viven no urbano e os que viven no
interior, nun entorno onde a modernidade chega con atraso e onde a
necesidade non se cobre por que non entra nos criterios económicos da
rendibilidade. Nalgúns casos tamén, moitos, nos da rendibilidade
política. Os criterios da rendibilidade inzan no espectro ideolóxico
galego de dereita a esquerda, se cadra máis na esquerda posto que
abandona esa zona do país ao ver que é un caladoiro de votos da dereita.
Mais a dereita tampouco se acorda de nós porque, a pesar de estarmos
sobrerrepresentados na distribución de escanos das nosas provincias,
sabe que onde se xoga o negocio económico da política e o político da
política é no urbano.
Sucede porque non somos rendibles no rural, non somos cidadáns de dereito propiamente, senón que somos o Jorge do, O Pepe da ou a Maruja do. Os dereitos da nosa era naceron nun tempo, os do liberalismo, onde todo xiraba ao redor do homo economicus.Os
dereitos de hoxe son dereitos non sociais senón económicos que só poden
exercerse se tes capacidade económica para demandalos. O que deberan
pór nas nosas tarxetas do censo electoral se algún día os políticos que
nos piden o voto quixeran saber quen somos realmente é que somos a Maruja do ou o Pepe da. Polo menos ata o día en que os dereitos sexan non só económicos e tamén sociais.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Continuam as mobilizações em Chantada que reclamam o direito a decidir e constitui-se Podemos Chantada
O passado sábado em Chantada reuniram-se 22 pessoas às 20:30 horas para reclamar o direito a decidir das e dos cidadãos. Pela república galega e pela república espanhola, mas não apenas mediante um referendo, mas abrindo processos constituintes abertos e por abaixo em todas as nações do Estado espanhol.

De por parte,esse mesmo sábado consituiu-se em assembleia ("círculo") Podemos Chantada. Nessa juntança criou-se uma ferramenta comunicativa em que poderão participar todas aquelas pessoas que participem nalguma reunião física do partido. Aquelas pessoas interessadas nesta nova formação política chantadina de esquerdas podem contactar com Fabiana García Porto, Isaac Viana ou Martín Rodríguez.
Desde A voz do Agro saudamos o nascimento deste novo partido e desejamos-lhe muito sucesso ao tempo que aguardamos que as forças de esquerda da vila (BNG, Podemos, Anova) continuem a tecer unidade popular, como já se está a fazer nestas mobilizações unitárias que embora sejam convocatórias cidadãs contam com membros de todas estas formações (e também do PSOE local).
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Análise dos resultados na Galiza do 25-M: ilusões óticas da esquerda galega, margem de manobra e esperança
Opinião de Antom Fente Parada.
"Para rebelar-se e lutar não são necessários nem líderes nem caudilhos, nem Messias nem salvadores; para lutar apenas se precisa um pouco de vergonha, um tanto de dignidade e muita organização, o demais ou serve para o coletivo ou não serve", subcomandante Marcos. (1)
Talvez o melhor resumo da
passada jornada eleitoral na Galiza seja verificar mais uma vez a
irresponsabilidade das direções políticas da esquerda galega, que
celebraram este resultado em todos os casos como uma vitória, quando
apenas Podemos tem algo a celebrar ao converter-se na expressão política do 15-m em todo o Estado. A continuação faremos uma
análise que inclui ao final uma série de gráficos e dados para que
o leitor poda fazer a sua própria análise e corroborar se a
leitura que aqui se faz é acertada ou não.
1.-
Golpe ao bipartidismo
na Galiza?
No conjunto do Estado houve uma
clara queda do bipartidismo, embora deve ser matizada pela alta
abstenção. O descalabro do PSOE, em clara pasokização,
forçou a saída de Alfredo Pérez Rubalcaba da direção do PSOE e
os dois grandes partidos sistémicos da II
Restauração bourbónica ficaram por primeira vez por baixo de 50%
de apoios (frente 66'40% das anteriores europeias), embora a situação
mude se se lhe engadem os apoios doutras forças de direita e extrema
direita e se atendemos à abstenção.
Também o bipartidismo tem margem, a começar pelo asédio a Podemos
principal alternativa de governo neste momento no Estado, embora
tira-se menos deputados do que IU. Um assédio que sofreram já com
anterioridade AGE e BNG na Galiza.
Aliás,
na Galiza o bipartidismo
resiste melhor do que no conjunto do Estado espanhol: por uma parte o
PP é o partido mais prejudicado pela abstenção, mas não despregou
toda a sua maquinária eleitoral –especialmente no rural e nas
vilas– e, igualmente
grave, PSOE recupera
apoios e percentagem de voto a diferença do conjunto do Estado.
Se
cotejamos os dados de abstenção entre autonomias governadas pelo PP ou
não, interior e costa na Galiza ou rural e urbano fica às claras que boa
parte dos votos que perde o PP ficam na abstenção e não vão a outras
opções e que esta, embora afete a todas as forças, se concentra em maior
medida no tradicional votante do PP.
O
PP segue a ser a força mais votada na Galiza (35'16%),
como desde 1989, mas os 354.743 votos são o seu pior resultado da história, nunca
baixaram dos 500.000 votos. Assim
as coisas, o PP perde 220.000 votos em comparação com as europeias
de 2009 e mais de 100.000
votos a respeito das eleições nacionais de 2009, quando Feijoo se
convertera em presidente da Junta.
O
PSOE perde 184.000 votos a respeito das europeias de 2009 e obtém o
pior resultado também desde 1989, embora se mantenha inopinadamente
como segunda força, mas
que permitiu que Besteiro e Pepe Blanco celebraram os resultados em
sendas cenas buñuelescas.
A
ilusão ótica que permite ao PSOE manter ainda o seu segundo posto é
a divisão do eleitorado de AGE nas passadas eleições galegas.
2.-
Alternativa Galega de Esquerdas em Europa: celebramos a fragmentação
do eleitorado de AGE?
A percentagem de voto de AGEE
na Galiza é semelhante à de IU noutras comunidades autónomas e, em
geral, a Galiza comportou-se eleitoralmente como o resto do Estado
em todos os eidos: maior abstenção onde governa o PP, irrupção de
Podemos parelha a IU... Não houve uma maior participação como nos
territórios onde a questão nacional é chave (Euskadi, Catalunya e
Nafarroa) nem um aumento significativo do voto soberanista como sim
aconteceu nos casos de EH Bildu e ERC. É difícil não ver um retrocesso
da consciência nacional deste país e do campo nacionalista em geral o
que nos deveria fazer reflexionar a todos os aderentes da esquerda
galega, independentemente do espaço em que militemos.
Cumpre assinalar igualmente que
AGE, sobretudo nas contornas urbanas e semi-urbanas que foi onde
teve mais pulo nas eleições ao parlamento galego, perde força e
que Anova perdeu boa parte do eleitorado desse espaço de rutura
e orfandade da esquerda que queria recuperar. Já que logo, a
integração em IU –percebida por boa parte do nosso eleitorado
como mais uma força sistémica– não supus um plus, não se
conseguiu dar o sorpasso ao PSOE (que sim se dera nalgumas
cidades já naquela altura) e demonstra a enorme falácia dos 200.000
votos para converter uma fronte ampla e dialética (AGE) numa fórmula
fixa integrando-nos na Izquierda Plural (AGEE). A soma de
Podemos e AGEE dá uma soma semelhante aos 200.000 votos daquele
então e sim teria permitido dar o sorpasso ao
PSOE e que era uma aposta dos que defendiamos uma frente ampla
diferente à integração em IU. Lembremos o que dizia
Xosé Manuel Beiras quando dava o seu apoio à opção 1 no referendo
interno de Anova:
a
conexión/re-conexión entre forzas polìticas e
plataformas/movementos cívicos, nos diversos eidos dese mesmo ámbito
estatal, segue a ser, con poucas excepcións, un mero desideratum.
Mesmo algún movemento recentemente emerxente (como 'Podemos') é,
para min, unha incógnita, tanto na sua índole canto no rol que
pretenda ter e nos compromisos, e condicións dos mesmo, que esteña
disposto a suscreber con algunhas forzas políticas.
Porém, AGE é a força que mais
baixa ao perder 24'47% de apoios, frente aos 21'86% que perde o BNG e
um PSOE que sobe em percentagem de voto. Na cidade da Crunha a
situação ainda é pior: AGE deixa de ser a segunda força para
ficar por trás de Podemos. Assim AGE passa de 200.828 votos nas
eleições galegas (13'90%) a 105.605 (10'52%) com uma descida de
votos de 47'41% e em percentagem de voto de 24'47%.
A pesar da excelente notícia de
situarmos a Lídia Senra na euro-câmara os resultados na Galiza
não são determinantes para que Anova atingira representação
(nº 5 na listagem de La Izquierda Plural),
dependendo do resultado de IU no conjunto do Reino de Espanha.
Integrar-se em IU não se
justifica com 0'6% de deputada quando a configuração da frente
ampla poderia ter sido outra: Anova, Podemos, Compromís, Equo,
Chunta Aragonesista...
Anova tinha como alvo representar um espaço órfão de representação
e advogar pela frente ampla como expressão política e social na
defesa da maioria social agredida sendo a superação do PSOE uma
realidade ao alcance. Longe de conseguir isso perdeu a metade dos
votos, fundamentalmente em favor de Podemos, pois uma parte do
eleitorado vê a IU como mais uma força do sistema na Galiza e no
conjunto do Estado e não como uma força de rutura ou
em consonância com o espaço político criado pelo 15-m.
Uma frente ampla de verdade e
não uma integração teria permitido a nível Estado uma derrota sem
paliativos do bipartidismo e uma mobilização maior dos votantes da
esquerda e do espaço de rutura da sociedade civil mais viçosa do
Estado.
3.- BNG: a orquestra do Titanic segue a tocar
O
BNG ficou 30.000 votos por cima do seu pior registo (Estatais de
1989) e perdeu 24.000 votos a respeito das anteriores europeias. O
triunfalismo da sua direção, que causou mal-estar em grande parte
dos seus votantes, dava a imagem da orquestra do Titanic, embora Ana
Miranda mantenha o seu escano em Europa por mor dos apoios recebidos
por EH Bildu.
Contudo, o triunfalismo da
direção do BNG pode responder a que seus prognósticos eram ainda
piores, a pesar de que o BNG hoje já é a quinta força na Galiza
superado por Podemos e nas cidades, excetuando Ponte Vedra, fica
reduzido ao mínimo se bem é certo que semelha que tucou fundo - sempre e
quando não se exclua duma frente ampla que sim englobe às restantes
forças à esquerda do PSOE-.
Se
as bases não obrigam a mudar o rumo à direção do BNG
paira uma grave ameaça de descomposição
da base social mais importante do campo nacionalista
o que não é uma boa notícia para ninguém que apoie a emancipação
social e nacional do povo galego. As
direções políticas irresponsáveis do campo nacionalista (e as e os militantes irresponsáveis que as sustentamos) têm que
entender que:
a)
a expressão eleitoral apenas pode
entender-se como uma ferramenta, uma caixa de ressonância, do poder
social em ação onde se erguem as alternativas reais frente a umas
instituições apodrecidas e ao serviço do aparato de Estado
(propriedade da oligarquia do capitalismo de amiguinhos do Reino de
Espanha);
b)
Galiza precisa, seja como for, situar a
questão nacional no contexto de quebra democrática e podridão
da II Restauração bourbónica
e isso apenas se consegue sendo
alternativa real para o conjunto da esquerda social da nossa nação
(soberanista ou não), possibilitando
que o campo nacionalista conecte com o conjunto do espaço de rutura
e as capas órfãs de representação para o que cumpre apostar pela
frente ampla inclusiva e não por fórmulas fixas excluintes, seja
quem for o parceiro;
c)
o campo soberanista
(nacionalista / galeguista / independentista ou como se lhe quiser
chamar) deve abandonar a doutrina dos
dois mundos (nacionalista/espanholista), em
que está instalado o BNG, e
advogar por uma frente ampla que unifique a todo o espaço ruturista e que tão pouco passa pela entrega entusiasta a IU qualificando o resto do campo nacionalista como "chovinista".
Sem o BNG (ao menos a sua base social), Anova terá muito difícil por sim própria reverter a já
clara perda da hegemonia da esquerda galega entre a mocidade e pôr a
questão nacional à mesma altura do que a questão social (pois
no mundo real são inseparáveis e não se podem solventar as
problemáticas sociais, económicas, culturais... sem termos
soberania como povo), algo com nefastas consequências para o
horizonte estratégico partilhado pelo conjunto do campo
nacionalista e para o povo trabalhador gaelgo. O que está em jogo
é a expressão política de todo o campo nacionalista e a sua
sobrevivência e reprodução não que partido ou família leva razão. (2)
4.- O
fenómeno
Podemos: apenas Yes
we can à
espanhola ou espaço órfão de representação e fator chave para a síntese
necessária entre a esquerda clássica e as novas conceções da esquerda
para avançarmos no século XXI?
O
fenómeno Podemos desbordou as previsões de todas as direções
políticas da esquerda galega (e também de IU), mas não fomos
poucas as vozes (desde posições muito diferentes e com adesão entusiasta
ou desde uma posição crítica) que dizíamos que Podemos seria às
europeias o que
AGE às galegas. Assim foi e assim se demonstra
a enorme importância das redes sociais e dos mass
media
no voto
–mais na esquerda do que na direita– para bem e para mal. Podemos
criticar o emprego da foto do seu líder como logo, a sua nula
implantação territorial na Galiza, a sua ambígua aposta pelo
galego, a sua retórica keynesiana, a sua estética pós-moderna (há
para todos os gostos)... mas conseguiu conectar com um eleitorado ao
que não chega a esquerda tradicional, segmento fundamental para a
rutura e para emancipação nacional, e com o que sim conectara AGE
nas eleições galegas.
Embora,
pela experiência, estes processos-lostrego rematem por criar fundas
fendas internas, a
irrupção do oportunismo e o eleitoralismo,
profundos ataques externos e,
ao cabo, políticas não substancialmente diferentes nas instituições
que produzem um desencanto que alimenta a confussão, a impostura, a desorientação e, ao cabo, a extrema direita ou o
mantimento do status
quo;
o
certo é que
a
esquerda mais
“clássica” tem
muito que achegar a novas fórmulas políticas, mas
também muito do que apreender e deve tratar estas fórmulas em
igualdade de condições para possibilitar a melhor síntese possível
para a esquerda do século XXI (ontem
a vanguarda foi ontem o POUM e hoje são as CUP):
tenham razão os clássicos
ou os pós-modernos
sem frente ampla não haverá sucesso possível nem segundas
oportunidades. A questão deve redimir-se, já que logo, através do
debate e a honestidade intelectual e da pressão das bases de todo o
campo nacionalista, superando o confronto
Anova-BNG que lembram ao KPD e à SPD da República de Weimar.
Podemos,
com escassos meses de vida, iguala praticamente a uma AGE que perde
metade do seu eleitorado em tempo recorde e recolhe o modelo e
discurso fresco e bem sucedido de AGE em 2012.
O
eleitorado de Podemos, também na Galiza, baptiza-se politicamente no
15-m, desconfia radicalmente das forças políticas tradicionais da
esquerda (também de
Izquierda Unida) e
criou-se num contexto, a
partir da segunda metade da década de 90 (segundo
o BNG ia atingindo maior representação institucional embora perdera
apoios nas urnas)
em que o campo
nacionalista punha o acento no eleitoral e não no trabalho na
sociedade civil, que na
Galiza segue a estar muito atomizada e ser muito débil. As
consequências daquele abandono foi a desconexão com amplas capas
dinâmicas e jovens das contornas urbanas, maioritariamente falantes
de castelhano e com escasso ou nulo contacto com o campo
nacionalista. A doutrina
dos dois mundos do BNG resultou desastrosas e põe ao nacionalismo na
situação mais difícil da sua história, o que exige que as bases
do campo nacionalista
(fundamentalmente Anova e BNG mas nem só) obriguem
a
retificar às suas irresponsáveis direções políticas, também as que às
que tratam ao BNG de jeito análogo a como a doutrina do
"social-fascismo" tratava à social-democracia na década de trinta. (3)
Já
que logo, por primeira vez
em décadas a esquerda galega corre sério risco de deixar de ser
hegemónica, particularmente entre a mocidade galega,
e a militância moça no campo nacionalista é cada vez mais exígua.
5.-
Hoje
mais do que nunca FRENTE AMPLA
Para
derrotar o bipartidismo na Galiza faz-se patente a necessidade duma
alternativa ilusionante e credível, uma frente ampla à margem das
forças sistémicas
que some aos apoios atuais os de boa parte da abstenção, do voto do
PSOE e dos 200.000 galegos e galegas que decidiram votar por outras
forças, nulo ou em branco (16'35%, 191.400 votos). Que
congregue a toda a esquerda social e esteja ao serviço dela, que retro-alimente a construção duma sociedade civil, como
mínimo, equiparável à de Catalunya e Euskadi (mínimo
imprescindível também para deter a barbárie a nível europeu que
avança imparável e
lembra cada vez mais a década de trinta do século XX).
Com o bipartidismo por baixo
de 50% dos sufrágios, tal como se prognosticava que ficariam
desde Anova quando se apostava pela frente ampla, embora não
fossemos capazes de impulsar uma coligação ampla que o derrotasse
acelerando o fim da II Restauração bourbónica, portanto, é
fundamental apostar pela frente ampla com ou sem as direções
políticas de IU e BNG, mas no processo há que construir a expressão
política certa do nacionalismo no século XXI e Anova apenas pode
impulsar isso desde a generosidade e apostando pela frente ampla.
Desta arte, é imprescindível
a construção dum espaço plural no nacionalismo galego, uma força
organizada o suficientemente importante para situar a questão
nacional galega de forma análoga a Euskadi ou Catalunya. AGE, e
com ela Anova, fica em parte fora do espaço de forças ruturistas e
dos novos jeitos de fazer política contradizendo as aspirações de
Anova desde a sua criação e a última oportunidade para o nacionalismo
é apostar por constituir candidaturas de unidade popular em todos os
concelhos sem exclusões.
A frente ampla que muitas e
muitos defendemos em Anova teria-nos conduzido a um cenário duma
coligação que obteria escanos galegos no parlamento europeu sem
dependências externas à Galiza e permitiria ter avançado na
verdadeira nova política que apenas pode celebrar derrotar o
bipartidismo e erguer uma clara alternativa de governo e não um
resultado olhado desde a ótica de «partido».
Essa frente daria uma imagem bem diferente a muitas e muitos
nacionalistas (o maior perigo agora é o enrocamento nos vícios e na
morte por sucesso, um êxito que não existe como tentamos expor nestas
linhas) teria
congregado numa mesma
coligação a Primavera Europeia, Podemos, Anova (não o BNG que se negaria
a ir com qualquer força espanhola)... com um resultado que constituiria
um ensaio de quebra
democrática e que nos
situaria como alternativa real de governo na Galiza: a integração
na Izquierda Plural
não era, nem muito menos, um Ther
is not alternative
para atingir uma caixa de ressonância própria em Estrasburgo tecer alianças a nível europeu.
Temos
pois, pouco que celebrar e muito por construir para avançar no nosso
horizonte estratégico.
(Sempre
em) Galiza (célula de universalidade), 26 de maio de 2014.
Anexos (elaboração própria)
Tábua
1 – Fonte: Ministério do Interior
Europeias 2014,
resultados Galiza (Escrutado 99'95%)
|
||
Total votantes
|
1.035.487
|
45'45%
|
Abstenção
|
1.242.655
|
54'55%
|
Nulos
|
26.714
|
2'58%
|
Brancos
|
29.927
|
2'97%
|
Tábua
2, Europeias 2014 – Fonte: Ministério do Interior
Candidaturas
|
Votos
|
Percentagem
|
PP
|
354.743
|
35'16%
|
PSOE
|
219.207
|
21'73%
|
AGEE
|
106.189
|
10'52%
|
Podemos
|
84.216
|
8'34%
|
BNG
|
79.732
|
7'90%
|
UPyD
|
35.099
|
3'47%
|
C's
|
16.309
|
1'61%
|
PACMA
|
10.871
|
1'07%
|
CxG
|
9.641
|
0'95%
|
EB
|
7.914
|
0'78%
|
Outros
|
9'88%
|
|
Tábua
3 – Fonte: Ministério do Interior
Europeias 2009, resultados Galiza (100%
escrutado)
|
||
Total Votantes
|
1.149.973
|
43,34%
|
Abstenção
|
1.503.436
|
56,66%
|
Nulos
|
7.576
|
0,66%
|
Brancos
|
12.591
|
1,10%
|
Tábua
4, Europeias 2009 - Fonte: Ministério do Interior
Candidaturas
|
Votos
|
Percentagem
|
PP
|
571.320
|
50'01%
|
PSOE
|
403.141
|
35'29%
|
BNG
|
103.724
|
9'08%
|
EU-IU
|
14.956
|
1'31%
|
UPyD
|
14.148
|
1'24%
|
LV-GVE
|
4.780
|
0'42%
|
Iniciativa Internacionalista
|
3.460
|
0'30%
|
PACMA
|
2.580
|
0'23%
|
PUM+J
|
1.613
|
0'14%
|
IZAN-RG
|
1.072
|
0'09%
|
POSI
|
886
|
0'08%
|
Tábua 5 – Fonte: Ministério do Interior
ELEIÇÕES
NACIONAIS DA GALIZA, 2012 (RESUMO, escrutado 100%, 75 escanos em
total)
|
||
Votos
|
1467657
|
63.8 %
|
Abstenções
|
832678
|
36.2 %
|
Nulos
|
37472
|
2.55 %
|
Branco
|
38410
|
2.69 %
|
Tábua 6 – Fonte: Ministério do Interior
Eleições
Nacionais da Galiza 2012. Votos, percentagem e escanos por
candidatura
|
|||
Cadidatura
|
Escanos
|
Votos
|
Percentagem
|
PP
|
41
|
653.934
|
45'72%
|
PSOE
|
18
|
293671
|
20.53 %
|
AGE
|
9
|
200101
|
13.99 %
|
BNG
|
7
|
145389
|
10.16 %
|
UPyD
|
0
|
21.212
|
1.48 %
|
EB
|
0
|
17116
|
1.19 %
|
Sociedad Civil y Democracia
|
0
|
15781
|
1.1 %
|
Compromiso por Galiza
|
0
|
14459
|
1.01 %
|
PACMA
|
0
|
7729
|
0.54 %
|
Tábua 7- Extrapolação Europeias 2014 a eleições nacionais na
Galiza para 75 escanos – Fonte: Ministério do Interior
Tábua 8, extrapolação deputados eleições nacionais Galiza
para 61 escanos – Fonte: Ministério do Interior
(1) http://desinformemonos.org/2014/05/adios-al-subcomandante-marcos-nace-galeano/print/
(2) http://revoltairmandinha.blogspot.com.es/2014/03/um-voto-nulo-pela-regeneracao-de-anova.html
(3) http://revoltairmandinha.blogspot.com.br/2013/11/a-i-globalizacao-algumas-licoes-para-o.html
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